Micro Sistemas 64

E os Drives Chegaram

Artigo Original: Oscar Júlio Burd, Digitação: Wilson Pilon

É com orgulho e satisfação que retorno às páginas de Micro Sistemas para abordar um assunto que é de interesse de todos: o lançamento das primeiras unidades de disco (drive) para os MSX nacionais.

Procurarei transmitir nestas poucas linhas aqueles conhecimentos que julgo mais importantes e que tive a oportunidade de acumular durante os dois anos em que venho trabalhando com os MSX e seus periféricos (inclusive aqueles que somente agora começam a chegar no Brasil, como é o caso das unidades de disco).

Tenho certez que raros são os usuários de MSX que já compraram suas unidades de disco, tendo em vista dois motivos: o elevado preço (Cz$ 10 mil a Cz$ 12 mil) e o fato de tratar-se de um produto novo e que, como toda novidade, gera certa apreensão.

Pois bem, levando em consideração que a grande maioria dos proprietários de MSX ainda não adquiriu sua unidade de disco, optei por uma abordagem de caráter mais genérico neste primeiro artigo. Esse assunto poderá ser abordado em maior profundidade técnica e de dicas, a partir do instante que as unidades estejam mais difundidas, mas, no momento julgo inapropriado tal enfoque; afinal de contas, não adiantaria nada a publicação e truques com relação a esse periférico se os leitores não têm, ainda, a possibilidade de testá-los e utilizá-los de modo prático.

Veremos neste artigo o que muda e o que não muda com o desembarque das unidades de disco nas lojas de nosso país.

MSX Como Micro Profissional

Existem, tanto no Brasil como no exterior, duas categorias básicas de usuários de microcomputadores: a doméstica e a profissional.

Até recentemente, antes da chegada das unidades de disco, a esmagadora maioria de usuários do MSX pertencia a primeira categoria, ou seja, quase todos os MSX estava, e ainda estão, sendo utilizados nos lares. A explicação deste fato é que, até recentemente, os programas eram vendidos em fita cassete ou cartuchos de EPROM, sendo que mais de 90% dos programas disponíveis no mercado são jogos.

Mas porque será que não existem muitos e bons aplicativos voltados para a área comercial e profissional? A resposta é que para a criação de um programa profissional torna-se indispensável a existência das unidades de disco, sem as quais não eixste a possibilidade do uso de linguagem de alto nível como o Pascal e outras?

Outra limitação fundamental é a que diz respeito ao uso de arquivos, pois somente com as unidades de disco temos acesso não apenas a arquivos randômicos, ams também a uma quantidade muito maior de memória.

Em síntese, podemos notar que o lançamento das unidades de disco representa um novo marco na utilização dos MSX nacionais, pois, além do uso doméstico, eles passam a ter o potencial de verdadeiros micros profissionais.

Novos Programas e Aplicativos

Um das maiores críticas que eram feitas ao sistema MSX era a da falta de programas profissionais, os chamados programas sérios. Pois bem, com a chegada dos drives tal crítica passa a não ter mais sentido, tendo-se em vista que inúmeros programas que rodam no sistema operacional CP/M, em outros micros, também funcionam nos MSX.

Hoje existe a possibilidade (real) de utilização dos programas que funcionam no sistema 700 e no CP 500, da Prológica, em um MSX com unidade de disco. Isso significa que você tem à sua disposição todos aqueles programas profissionais dos micros acima que rodam no sistema CP/M.

Em outras palavras, a partir de hoje você pode escolher entre os inúmeros programas profissionais que eixstem para os micros acima, àqueles que desejar ver em seu MSX. Há também notícias de que estão sendo utilizados, com êxito, vários programas em CP/M dos micros da linha Apple no MSX.

Para completar estas novidades, devo informá-los que já estão à disposição dos possuidores da unidade de disco os mais famosos aplicativos que funcionam em CP/M, entre os quais: Calcstar, Wordstar, SuperCalc 2, dBase II.

Mas, além dos novos programas e aplicativos, também existe uma novidade que, sem dúvida, vai entusiasmar as software-houses e os programadores de modo geral: as novas linguagens em disco.

Novas Linguagens em Disco

Como se não fosse suficiente apenas a existência dos inúmeros programas profissionais para os MSX, foram lançadas poderosas linguagens de programação que somente agora estão ao alcance do usuário nacional.

Relaciono a seguir estas linguagens que já estão à venda em algumas lojas especializadas: COBOL; C; PASCAL; FORTH; FORTRAN e LOGO.

Lembrando o que foi dito anteriormente, tenho certeza de que, agora, os leitores conseguem perceber o fundamental papel que a unidade de disco representa no uso profissional de qualquer computador, inclusive dos MSX.

Finalizando, quero transmitir uma última informação que julgo de grande importância para aqueles que desejam utilizar um MSX em seu escritório ou fábrica.

Troca de Dados entre MSX/IBM-PC

Não o título não está errado!

Pode haver troca de dados entre um MSX e um IBM-PC através de um disco flexível. A ideia é a seguinte: imagne que você tenha um arquivo de dados do dBASE II em um disquete de IBM-PC; é possível inserir este disquete na unidade de disco do seu MSX e ler estes dados com o uso do dBASE II em seu micro.

O mesmo exemplo é válido para troca de dados entre planilhas eletrônicas e alguns outros programas. Note-se que essa troca de informações entre o MSX e o IBM-PC só é possível graças a idêntica formatação dos disquetes flexíveis nos dois micors.

Como vemos, o lançamento das unidades de disco traz novas perspectivas de uso dos MSX, tanto para os usuários de pacotes de software como para aqueles que se dedicam à criação de novos programas e aplicativos.

Temos, a partir de agora, uma nova e potente ferramenta; trateos, pois de aproveitá-la.